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E EU SONHO!
nem sendo rasgada a impossibilidade esmaece.
apesar da ilusão da condição humana,
sonhar é um imperativo.
e eu sonho!
sonho porque já vivi,
já senti,
já beijei um sonho.
não importam as esquinas
nem as montanhas do céu.
jamais serás uma brisa
jamais serás esquecimento.
quanto a mim?
entrego-me às vagas do poente.
sim, do poente!
para retornar às raizes do tempo,
para obter a clemência do coração.
haverá, porém, caminhos sem obstáculos?
ou algo que ninguém observa?
existe um quarto sem janelas onde impera a tentação da fantasia.
mas não desejo universos contidos.
aceito a liberdade da existência.
repito. sonhar é um imperativo!
é assim que no sentir da esperança
ouso uma frágil prece
e persisto no Teu sonho.
(Vicente Ferreira da Silva)
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Vicente Ferreira da Silva
ESCREVO
escrevo.
escrevo as linhas do silêncio.
mas os pulsos estão secos, ressequidos pelo desejo da pauta de outrora.
o amor caiu e só o corpo é confissão aberta, em relativa existência,
almejando o ardor da sombra que consome os resquícios da memória.
terrena?
terrena é a realidade dos braços, a fronteira que previne a tentação do preto,
repensando o vestir do hábito.
já terna é a orla das faúlhas, o percurso da chama na pele,
rastilho das ilusões.
escrevo.
escrevo o reconhecimento da melodia, os poros que rasgam as notas.
mas as bocas são horas infecundas de limites que vergam a ausência da esperança.
já ninguém semeia ou colhe as brisas vespertinas.
e eu escrevo.
escrevo o trilho do pó, as cinzas dos lábios.
(Vicente Ferreira da Silva)
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Vicente Ferreira da Silva
DÁDIVA(S)
sei que o sabes,
mas necessito expressá-lo.
é ao amanhecer,
que o meu corpo mais chora por ti!
(Vicente Ferreira da Silva)
RAZÃO DE SER
És a minha razão de ser
e a alma do meu escrever;
A fonte donde jorram letras,
a linha que une as palavras.
És a mais pura melodia
que encanta os meus ouvidos.
És todas as notas da sinfonia
que comove os meus sentidos.
És todas as minhas cores,
todos os meus sabores.
A pintora do meu viver
e do quadro a que sinto pertencer.
(Vicente Ferreira da Silva)
e a alma do meu escrever;
A fonte donde jorram letras,
a linha que une as palavras.
És a mais pura melodia
que encanta os meus ouvidos.
És todas as notas da sinfonia
que comove os meus sentidos.
És todas as minhas cores,
todos os meus sabores.
A pintora do meu viver
e do quadro a que sinto pertencer.
(Vicente Ferreira da Silva)
CERTEZA
Procurar!
Às vezes
o tempo
de um existência
não é suficiente.
Encontrar!
Noutras,
o que foi
uma busca incessante
num instante,
é certeza.
Sabes porque seria feliz comigo?
Porque eu seria feliz contigo.
(Vicente Ferreira da Silva)
Às vezes
o tempo
de um existência
não é suficiente.
Encontrar!
Noutras,
o que foi
uma busca incessante
num instante,
é certeza.
Sabes porque seria feliz comigo?
Porque eu seria feliz contigo.
(Vicente Ferreira da Silva)
DUAS FLORES
Sempre,
que tenho o prazer
de com a natureza te alegrar,
pelo mesmo motivo,
fico triste
e contente.
Não interessa onde vá procurar!
Tenho a certeza,
que nunca irei encontrar
uma flor,
tão bela como tu.
(Vicente Ferreira da Silva)
PENSO EM TI
Penso em ti
e parece
que tudo aquilo que é
e não é
acontece,
existe
e permanece
Simples
e selvagem!
Tal e qual a natureza
plena de sensação,
cuja mensagem
perfumada em pureza
é uma visão
de tanta beleza,
que o meu ser agradece
esta tua dádiva
que a minha vida
enriquece,
e o Meu Teu
enaltece.
(Vicente Ferreira da Silva)
NÃO MAIS
Se estivesses ao meu lado,
abraçar-te-ia.
Encostar-me-ia a ti,
para escutar o teu coração.
E,
nas praias desertas,
as ondas não mais seriam orfãs.
(Vicente Ferreira da Silva)
abraçar-te-ia.
Encostar-me-ia a ti,
para escutar o teu coração.
E,
nas praias desertas,
as ondas não mais seriam orfãs.
(Vicente Ferreira da Silva)
MIRAGEM
todo o vento é desfraldado em papel.
como uma mácula que se destina ao início.
instantes de sonho,
em cujo gérmen ocorre a doçura da ilusão,
no desejo pela coincidência da preguiça.
não há necessidade de renascer.
quando muito, devemos continuar a permanecer
no veludo tecido pelas ondas.
mas somos animais mutantes de alma presa,
subjugados pelo peso da incoerência:
cremos ser o que não somos
e almejamos o panteão das divindades.
(Vicente Ferreira da Silva)
ÓMEGA
penso no princípio.
na chave em voz. no quarto que origina a vontade.
penso no principio porque não sei se o escrevi.
tantas são as certezas como as loucuras.
e rio no quarto. sozinho. no embalo do eco
onde se desfralda a língua do silêncio.
mas há vozes audíveis!
rompidas pelos desertos em concepção
na alegoria do quarto já percorrido,
quase preenchido em vazio,
que por um acaso – triste, alguns dirão -
é ocupado pelo choro dum bebé recém-nascido,
no desfragmento do desejo.
talvez o tempo seja sustido por um suspiro. talvez?
no entanto, propago-me.
e acontecem incógnitas sensoriais nas equações espaciais,
vibrações que moldam deltas em fluxo ritmado,
numa sinfonia de sossegos compassados.
ah! trapezistas audazes.
que se abraçam no etéreo, solto,
na vigilância da harpa indomável.
também quero um desfragmento inteiro.
também quero voar num espaço sem rede.
talvez assim consiga recriar o instante.
ou sair pelo caminho mais curto.
mas as paredes continuam caladas
e a linguagem não exprime o sentir.
como queria retornar ao local do encontro!
mas o quarto não é um talvez,
nem esconde deliberadamente a fechadura.
sem escrita não há memória.
sem voz, que haverá?
e eu penso no princípio.
penso no princípio porque desejo o futuro!
(Vicente Ferreira da Silva)
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Vicente Ferreira da Silva
PERGUNTAS
Olhava para ti
rendido,
quando após um suspiro,
sentido,
perguntaste:
Que queres de mim?
Explorar – Respondi.
Quero explorar
a tua presença,
a tua amizade,
as tuas palavras,
o teu sorriso…
Quero o universo do teu ser,
conhecer.
Para assim,
com uma pequena parte de mim,
o preencher.
(Vicente Ferreira da Silva)
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Vicente Ferreira da Silva
EM SILÊNCIO
entre nós,
jamais haverá esquecimento. só amor!
e a dor
que o faz pulsar.
≈
beijo-te. em silêncio!
(Vicente Ferreira da Silva)
VERBO AZUL
uma pena solta.
um ramo suspenso.
uma página aberta ao futuro.
Deusa do jardim das safiras,
levitas no lago etéreo do desejo,
na amalgama das eras,
entre as encostas do meu peito
e mares em índigos sonhados.
floresce uma rosa, qual semente no coração.
marcas do tempo subsistem,
mas o Verbo da criação
é o livro azul da origem,
onde somos In-finito!
(Vicente Ferreira da Silva)
ESSÊNCIA
És o orvalho que me refresca no Verão
e o sol que me aquece no Inverno.
És a surpresa constante dos meus dias
e a certeza presente nas minhas noites.
És a visão da ilusão realizada
na realidade dos sonhos sonhada.
És o suspiro vivente no ar que respiro,
o mais completo porto de abrigo.
És o mar da minha alma,
as águas calmas onde repouso.
És o horizonte a alcançar
nas rotas que desejo viajar.
É por ti,
em ti
e para ti
que me atrevo, que me ouso.
És o universo que sempre pretendi.
(Vicente Ferreira da Silva)
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Vicente Ferreira da Silva
DUAS FLORES
Sempre,
que tenho o prazer
de com a natureza te alegrar,
pelo mesmo motivo,
fico triste
e contente.
que tenho o prazer
de com a natureza te alegrar,
pelo mesmo motivo,
fico triste
e contente.
Não interessa onde vá procurar!
Tenho a certeza
que nunca irei encontrar
uma flor,
tão bela como tu.
que nunca irei encontrar
uma flor,
tão bela como tu.
(Vicente Ferreira da Silva)
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Vicente Ferreira da Silva
QUIS
ser asas em noite azul
ou beijo desprendido ao acaso
e não mais esquecer
(Vicente Ferreira da Silva)
ou beijo desprendido ao acaso
e não mais esquecer
(Vicente Ferreira da Silva)
PENSAMENTOS
Aqui escrevo
e os pensamentos liberto.
Em vão!
No papel branco
não resistem.
Persistem,
nesta imensidão,
frágeis e difusos.
Sem nenhum rumo,
orientam-se.
Sem qualquer prumo,
sustentam-se.
Subsistem,
porque originados na mente.
Transpostos,
permanecem incorpóreos
no rasto das utopias.
Tudo é incerto.
E eles são,
no vazio,
fátuos.
No entanto,
transmitem
uma sensação de beleza.
Ágeis,
mistificam-nos!
Confusos,
identificam-nos!
Assim …
Traços!
Soltos!
Na mais plena incerteza.
(Vicente Ferreira da Silva)
e os pensamentos liberto.
Em vão!
No papel branco
não resistem.
Persistem,
nesta imensidão,
frágeis e difusos.
Sem nenhum rumo,
orientam-se.
Sem qualquer prumo,
sustentam-se.
Subsistem,
porque originados na mente.
Transpostos,
permanecem incorpóreos
no rasto das utopias.
Tudo é incerto.
E eles são,
no vazio,
fátuos.
No entanto,
transmitem
uma sensação de beleza.
Ágeis,
mistificam-nos!
Confusos,
identificam-nos!
Assim …
Traços!
Soltos!
Na mais plena incerteza.
(Vicente Ferreira da Silva)
...NADA SER
Nada sou!
E contudo, sou.
(Vicente Ferreira da Silva)
E contudo, sou.
Sou, porque tu és,
porque fazes com que seja.
porque fazes com que seja.
Vamos dar asas ao desejo.
Explorar o lugar onde o tempo pára
ou atravessar a pálida névoa
no cosmos das águas tranquilas,
onde reside o verbo,
onde o espírito se aquece
e a alma se refresca.
Explorar o lugar onde o tempo pára
ou atravessar a pálida névoa
no cosmos das águas tranquilas,
onde reside o verbo,
onde o espírito se aquece
e a alma se refresca.
Vamos dar asas ao desejo.
Mergulhar no impulso do inúmero
ou calcorrear as cascatas do céu
no infindo das terras sagradas,
onde tudo é harmonia,
onde se vê o incomensurável
e se sente o improvável.
Mergulhar no impulso do inúmero
ou calcorrear as cascatas do céu
no infindo das terras sagradas,
onde tudo é harmonia,
onde se vê o incomensurável
e se sente o improvável.
Sim, vamos dar asas ao desejo!
Deixar que ele nos leve à génese do ser
e ser qualquer nudez na fluidez do nada.
Deixar que ele nos leve à génese do ser
e ser qualquer nudez na fluidez do nada.
Se nada sou
e mesmo assim sou,
deixa-me Nada permanecer
e contigo apenas Ser.
e mesmo assim sou,
deixa-me Nada permanecer
e contigo apenas Ser.
(Vicente Ferreira da Silva)
AUTO RETRATO
a abstracção reflecte o nada.
[do nada,
berço da criação,
nasce a obra.]
berço da criação,
nasce a obra.]
ao nada desejo pertencer
para no campo da imaginação me perder
e no todo também ser.
para no campo da imaginação me perder
e no todo também ser.
(Vicente Ferreira da Silva)
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Vicente Ferreira da Silva
QUERES ?
somos?
somos o improvável da manhã e a nuance nas árvores caducas.
somos o crepúsculo das flores e a luz que vela a noite.
somos?
somos a tristeza da separação ou a incerteza da espera.
mas o fogo acontece
e somos flama desprendida,
desejo imortal, ondas em perdição
toda a carne se quer, toda a alma se entrega
à intensidade do momento que gera o suspiro do corpo.
algures, o tempo permitirá o alento.
e o beijo fecundará o Verbo,
e a entrega acontecerá serena,
nos braços da paixão.
somos!
somos o inevitável!
queres?
(Vicente Ferreira da Silva)
somos o improvável da manhã e a nuance nas árvores caducas.
somos o crepúsculo das flores e a luz que vela a noite.
somos?
somos a tristeza da separação ou a incerteza da espera.
mas o fogo acontece
e somos flama desprendida,
desejo imortal, ondas em perdição
toda a carne se quer, toda a alma se entrega
à intensidade do momento que gera o suspiro do corpo.
algures, o tempo permitirá o alento.
e o beijo fecundará o Verbo,
e a entrega acontecerá serena,
nos braços da paixão.
somos!
somos o inevitável!
queres?
(Vicente Ferreira da Silva)
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