traz-me numa taça
a água fresca do dia,
quando o vento se liquefaz
sob o meu olhar atento,
e o meu corpo é menos carne do que vento
porque minha alma lá dentro não cabia,
excessiva, enorme.
Vá, toca-me ao de leve com tuas mãos
para que a tarde sobre mim se entorne.
(António Simões)
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A TAÇA NAS TUAS MÃOS
CANTO DO OUTRO LADO DA LUA
já trespassam a noite
seis raios de luz:
já sobe no ar,
o foguetão do dia –
está pronto a aterrar,
quer queiras, quer não,
no lado lunar
do teu coração.
(António Simões)
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