" As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas". (Fernando Pessoa)
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Haverá sempre sabedoria
Livros, palavras, perfumes
Pincéis que percorrem telas e coloram sentires 
Melodias que imperam

Haverá sempre artistas
Que fazem brotar notas musicais de recantos preciosos
Palavras que engendram poesia e mergulham
Nos mais impetuosos mares de sentimentos
Somente audíveis
Por aqueles que têm o poder de saber escutar

Haverá sempre força
Que nasce em cada palavra proferida do coração 
Em cada amizade que se conquista
Em cada sorriso ofertado por nós, e feito nosso
Em cada presença verdade, em nossas vidas

Haverá sempre almas gentis, imensas, almas Grandes 
Almas profundas, almas plenas de amor e sentimento
Almas que se revestem do que é simples mas puro
Almas sensíveis, sinceras e íntegras
Almas que emanam uma colossal presença, mesmo em silêncio, podemos senti-las...

Aprendamos a reconhecer os caminhos da luz
Ouçamos os sons do silêncio que escrevem a esperança
Saibamos encontrar-nos, procuremos a profundidade espiritual
Caminhemos no sentido do crescimento e da sabedoria.

(Cecília Vilas Boas)

ACREDITAR


Ainda tenho partes de mim que esperam
Cantos de pássaros e afagos silenciosos
Partes de mim que acreditam no toque 
No voo sibilino do vento que traz consigo a chuva que invade a terra
Memórias que guardo no peito
Que escrevem o repouso dos dias que vi partir
E recordam sombras ausentes de dias que vivi
Cultivo nas margens da vida as vozes que não esqueci
Adubo-as nos dias de sol e sinto-as crescer, tomar vida...
Quando as andorinhas voltam, olho-as com um sorriso nostálgico
Sei que chegou a primavera, os aromas
Pinto nos meus olhos as cores dos dias
E quando partem, pinto um imensurável adeus e fico à espera que regressem…
E partem... acompanho-as como se fosse uma asa feita de nuvem
Domo as brisas que partem para sul 
E peço-lhes, em segredo, que me devolvam os rumores dos lírios
E o seu cheiro, e o seu encanto…
Ainda espero, o azul do céu, o afago dos sonhos
Ainda espero o que existe muito para além do olhar e do horizonte(...)

(Cecília Vilas Boas, excerto do poema ACREDITAR)

PALAVRAS


Amo-te, quando te escrevo
Invades-me com o teu olhar
Perco-me nas noites em que te descubro
Sinto-te no cheiro fecundo da terra molhada

E em silêncio, venero-te

Nesta paixão que me alimenta
Misteriosa a chama do amor
Forte o incenso que nos embriaga

Quero morrer em teus braços

Tocar a tua pele
Entregar-me ao desejo que nos une

Lancinante é a dor de sentir

Ardente é a voz do silêncio que nos escuta
Penosos são os dias, vazios de ti.

(Cecília Vilas Boas)



"Sabes amor? Trazes no teu sorriso rosado o desfolhar dos meus lábios..." 

Cecilia Vilas Boas)

"Guardei no bolso o sonho
Porque nos olhos já não cabia!
Era grande demais, e os olhos são pequenos…
O bolso, é fundo e escuro
Acomoda a eternidade do que é utópico (...)"

Cecília Vilas Boas

POR TI


Por ti
Pintarei laivos metafóricos
Sonhos nas estrelas
Véus de cetim, lírios na noite

Dançarei à chuva
Amar-te-ei nos ventos
Nos acordes prateados da lua

Por ti
Navegarei em barcos inventados
Serei brisa, astro luminoso
Nuvem, água nascente
(...)


Cecília Vilas Boas
Excerto do poema POR TI

PALAVRAS

O brilho dos olhos ilumina palavras
que escrevem páginas ocultas
dum livro que guardamos em recato.

Páginas com vida, com alma
ao folheá-las, podemos sentir o toque
dos momentos que couberam nas mãos do tempo

Gosto quando o dia finda, alma nasce
e as palavras, adormecem em silêncio
dentro de mim...

(Cecilia Vilas Boas, O Eco do Silêncio, Poemas)

O ECO DO SILÊNCIO

O eco do silêncio é prazer, paixão, sonho.
São aromas inebriantes, que fazem as delicias do corpo e do espirito.
São toques aveludados das pétalas das rosas.
É o grito, ás entranhas da terra e é o pássaro de olhar puro que voa na melancolia da noite.
São perfumes de gerânios, é o mistico nevoeiro que abraça os bosques, nas noites em que as sílabas dormem.
São os violinos suspensos das asas das nuvens.
Sabes amor?
Trazes no teu sorriso rosado o desfolhar dos meus lábios.

(Cecilia Vilas Boas, O Eco do Silêncio, Poemas)